O Wall Street Journal (WSJ), de Nova Iorque, analisa que o entusiasmo com a rápida recuperação da economia brasileira depois da crise global se tornou algo ameaçador: o medo de que a economia esteja superaquecendo. O Fundo Monetário Internacional (FMI), às voltas com a Grécia quebrada, prevê que as economias avançadas vão se expandir até 2,25% em 2010, depois de queda de mais de 3% em 2009. Nos países emergentes, o PIB tem projeção de mais 6,25% ao ano, depois de um crescimento mais modesto de 2,5% em 2009. Porém, a preocupação é que as taxas de crescimento estejam estimulando a inflação, há muito tempo o calcanhar de aquiles das economias ricas em commodities, como a do Brasil. Aumentar os juros é impopular. A Força Sindical queria uma baixa. O medo da inflação foi afastado pela Fiesp, pelo menos por enquanto. A Força Sindical considerou que a elevação dos juros "é uma perversidade para com os trabalhadores, pois o comitê insiste em impor um forte obstáculo ao desenvolvimento do País". Continuamos como recordistas mundiais dos juros, o governo está gastando demais, o ministro Paulo Bernardo anunciou cortes, e a esperança é que a situação melhore. Então, os juros subirão, pelo menos, meio ponto percentual, embora a aposta geral seja de 0,75 ponto percentual no reajuste da Selic. Juros altos inibem a inflação, mas também freiam o consumo. Sem consumo, sem mais empregos e impostos. Com altos juros no Brasil, investidores pegam empréstimos com taxas perto de zero no exterior e os trazem para aplicar aqui. Por isso o real se valoriza e prejudica as exportações. Melhor do que aumentar os juros para combater a inflação seria um corte nos gastos federais. Mas estamos em ano eleitoral. Isso explica quase tudo, embora pouco justifique.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Aumentar juros é frear a inflação e o crescimento
O consenso, no Brasil, sempre foi algo muito difícil de ser alcançado. Alguém disse que a unanimidade é burra e a frase virou uma unanimidade. Desde ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) está reunido para analisar se aumenta a taxa básica de juros, através do Sistema de Liquidação e Custódia (Selic). As 100 instituições financeiras que o Banco Central consulta apostam em uma alta dos juros, pois há muito consumo e oferta estagnada. Não é bem assim, bradam os capitães das principais entidades empresariais do País. Pois o consenso, entre nós, é algo quase miraculoso. Juro alto é algo lastimável, para os empresários investirem e os consumidores comprarem. O País recém- começa um ciclo virtuoso na economia, com muita produção industrial, safras espetaculares e a geração de emprego batendo recordes. A previsão dos especialistas é de aumento da taxa básica de 8,75% para 9,25% ao ano. Ou 9,50%. Ao final de 2010, os analistas esperam que a Selic chegue a 11,25%. O piso de 8,75% foi estabelecido em julho de 2009 e mantido nas reuniões de setembro, outubro e dezembro do ano passado e na primeira reunião de 2010, dias 26 e 27 de janeiro. Se a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) apoiou a decisão do Comitê de Política Monetária de manter a taxa básica de juros em 8,75%, sendo "uma demonstração de respeito à produção, ao crescimento, ao emprego e ao Brasil", as entidades de trabalhadores foram pelo caminho oposto, criticando a manutenção.